Mataram a minha gatinha. Eu não sei se foi algum cachorro ou alguém deu uma pancada nela, eu só sei que estou muito triste.

Ontem eu voltei da faculdade e ela não veio me encontrar. Achei estranho, então comecei a procurar por ela, e vi ela morta, toda ensanguentada na calçada da vizinha. Não consigo tirar essa cena da cabeça. Senti vontade de chorar agora... Estou me sentindo culpada de ter não cuidado dela melhor, devia ter trancado a gatinha no quintal ou no meu quarto, porque ela ainda era muito pequena e estava muito fraquinha...até dei o nome de "Flor" para ela, porque ela me lembrava alguma coisa muito frágil...

Eu sei que agora não adianta mais chorar, mas estou muito triste, derramando lágrimas em cima do teclado, sem vontade de falar com ninguém, tentei sair de casa, mas depois voltei correndo...não quero ver ninguém.

Ainda bem que não tenho prova hoje, porque não conseguiria estudar. 

Decidi focar outros novos objetivos na minha vida... até para me desviar de pessoas e fatos passados.

Disseram para mim uma vez: para curar um machucado, primeiro precisa lavar com muito carinho e depois colocar açúcar para cicatrizar. Vejo isso como uma metáfora para nossa vida, pois o açúcar (o doce, o amor) é o melhor remédio para curar as feridas da vida...Mas para isso o outro também tem ajudar a pôr açúcar...

Às vezes se espera demais das pessoas, a gente acha que o outro é uma pessoa mais fácil de se relacionar, de ser amigo. Eu nunca coloco ninguém em um pedestal, mas dou muito valor aos meus amigos.

Mas é impossível dar açúcar a quem não está disposto a mudar, e não faz nada para ajudar a curar as feridas passadas. Não dá para me relacionar com alguém assim.

Acho que estou escrevendo isso porque estou triste por causa da Flor, sei lá.

Na minha vida tudo vira brincadeira...

 

Lisbela

 

Los Hermanos

 

Eu quero a sina de um artista de cinema
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
Um beijo imenso, onde eu possa me afogar
Eu quero ser o matador das cinco estrelas
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
A Patativa do Norte, eu quero a sorte
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar
Pra me danar, por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar
Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho
Moça donzela, mulher, dama, ilusão
Na minha vida tudo vira brincadeira
A matinê verdadeira, domingo e televisão
Eu quero um beijo de cinema americano
Fechar os olhos fugir do perigo
Matar bandido, prender ladrão
A minha vida vai virar novela
Eu quero amor, eu quero amar
Eu quero o amor de Lisbela
Eu quero o mar e o sertão
Eu quero amor, eu quero amar
Eu quero o amor de Lisbela
Eu quero o mar e o sertão.

 

(Caetano Veloso e José Almino)

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